Estudos apontam adoção crescente de ferramentas de IA para planejar roteiros, comparar preços e até reservar passagens e hospedagem.
A inteligência artificial deixou de ser uma novidade distante para se tornar parte do processo de planejar uma viagem. Um estudo da Booking.com mostra que praticamente dois terços dos brasileiros, 63%, já usaram alguma ferramenta de IA no planejamento ou durante viagens em 2025, e oito em cada dez, 80%, pretendem usar a tecnologia em 2026. O movimento não se limita ao Brasil: pesquisas internacionais indicam que a confiança do consumidor em soluções de IA para decisões de compra e planejamento de viagens atingiu níveis inéditos. Ao mesmo tempo, o setor de turismo global vem incorporando essas ferramentas diretamente em plataformas de busca, reserva e atendimento, o que sugere que 2026 deve ser um ano decisivo para a consolidação da IA como parte comum da jornada do viajante.
Como os brasileiros já usam a IA nas viagens
Segundo a pesquisa da Booking.com, o uso de inteligência artificial no planejamento de viagens ainda funciona majoritariamente como apoio, e não como substituto total da decisão humana. Entre as diferentes faixas etárias, os millennials, entre 29 e 44 anos, lideram a intenção de uso futuro, com 83% afirmando que pretendem recorrer à tecnologia em 2026. Esse grupo também se mostra mais confortável em deixar a IA reservar automaticamente itens da viagem, como passagens aéreas: 35% dos millennials topariam essa automação, contra 31% da geração X e 28% da geração Z.
Outro levantamento, da SAP Concur, voltado ao público corporativo, mostra que 14% dos viajantes de negócios brasileiros optariam diretamente por uma lista de opções personalizada pela IA, adaptada às suas preferências individuais. O percentual pode parecer pequeno à primeira vista, mas revela um comportamento em expansão, já que a confiança na tecnologia tende a crescer conforme os sistemas se tornam mais precisos e transparentes ao longo do tempo.
Grandes plataformas apostam na tecnologia
O movimento de adoção também aparece do lado das empresas de tecnologia. O Google lançou o recurso Canvas dentro do chamado AI Mode, que permite montar planos de viagem personalizados reunindo, em um único painel, dados em tempo real de voos e hotéis, fotos e avaliações do Google Maps e informações de sites especializados. Basta descrever o tipo de viagem desejada para que a ferramenta monte um roteiro completo, com opções de refinamento e comparação entre alternativas.
A tendência de integração vai além das buscas. A Amazon anunciou que a Expedia será uma das quatro novas empresas parceiras no desenvolvimento de capacidades de inteligência artificial para o Alexa+, o assistente de voz com IA previsto para ser lançado em 2026, ao lado de parceiros como Tripadvisor e Uber. Com essa integração, o inventário global de hospedagem da Expedia passa a ficar disponível por comando de voz, o que amplia ainda mais as formas de planejar e reservar uma viagem sem depender exclusivamente de telas e aplicativos tradicionais.
Nem tudo é automático: cuidados recomendados
Apesar do avanço rápido da tecnologia, especialistas do setor reforçam que a IA funciona melhor como assistente de pesquisa e organização do que como substituta completa do julgamento humano. A cobertura sobre agentes inteligentes no turismo mostra que os modelos evoluem com velocidade, mas ainda falham em situações mais complexas, podendo misturar regras de destinos diferentes ou fornecer informações desatualizadas quando o usuário não oferece contexto suficiente. Por isso, checar informações antes de fechar uma compra segue sendo parte essencial do processo, mesmo com a tecnologia mais avançada.
Discussões recentes em eventos do setor, como o AI Summit 2026, reforçam esse equilíbrio: a chegada da inteligência artificial não é vista como uma ameaça à figura do agente de viagens, mas como uma ferramenta de apoio. Quanto mais a tecnologia avança em tarefas repetitivas, mais o atendimento humano, consultivo e personalizado se torna um diferencial competitivo para agências e operadoras que atuam no mercado brasileiro.
Para o viajante, a mensagem prática desses estudos é usar a IA para economizar tempo em pesquisa, comparação de preços e organização de roteiro, mas manter a checagem final antes de confirmar reservas importantes. Com 80% dos brasileiros já dispostos a usar essas ferramentas em 2026, o desafio para os próximos meses deixa de ser convencer o público a experimentar a tecnologia e passa a ser garantir que ela seja confiável o suficiente para acompanhar cada etapa da viagem, do planejamento inicial até o retorno para casa.
Fontes: Booking.com Newsroom · Travel Tech Hub · Jornal Wish Travel
