Agentes inteligentes já organizam roteiros completos e ganham a confiança de viajantes; entenda até onde vai essa transformação.
Planejar uma viagem deixou de significar horas navegando entre sites de passagens, comparadores de hotéis e fóruns de recomendação. Em 2026, boa parte desse trabalho já pode ser delegada a ferramentas de inteligência artificial capazes de cruzar preferências pessoais, orçamento e condições em tempo real para montar roteiros personalizados. Segundo levantamento do buscador de viagens KAYAK, 47% dos entrevistados afirmam confiar mais em recomendações de IA do que em amigos ou redes sociais, já que a tecnologia reúne informações de diferentes fontes e oferece respostas mais precisas e atualizadas. A mudança levanta uma pergunta que interessa a qualquer viajante: essa confiança crescente na tecnologia está mesmo tornando as viagens mais simples e baratas, ou substituindo algo que só um atendimento humano consegue oferecer? Traveltechhub
Agentes de IA assumem tarefas que antes eram manuais
O avanço mais visível está na chamada automação do atendimento em agências e operadoras de viagem. A agência Destinando Viagens, especializada em pacotes turísticos e cruzeiros marítimos, incorporou agentes de inteligência artificial à sua operação e, segundo a empresa, a adoção da tecnologia permitiu automatizar cerca de 70% dos processos de atendimento relacionados ao fechamento de viagens, contribuindo para um crescimento de 30% nas vendas. Esse tipo de resultado ajuda a explicar por que cada vez mais empresas do setor têm investido em ferramentas de IA como parte central da estratégia comercial, e não apenas como um diferencial pontual. Pardal Tech
A tendência também aparece em grandes players do turismo digital. Agregadores de viagens, incluindo Booking.com, Google e Expedia, já contam com assistentes virtuais capazes de personalizar planos de viagem do início ao fim, enquanto no transporte terrestre o movimento segue o mesmo caminho. A ClickBus anunciou investimento de R$ 15 milhões para desenvolver sua própria infraestrutura de inteligência artificial e lançou um assistente conversacional integrado ao aplicativo, capaz de acompanhar toda a jornada do passageiro, reunindo mais de 50 modelos de IA e 80 TB de dados curados para oferecer recomendações personalizadas, previsão de atrasos e reembolso instantâneo. O exemplo mostra que a aplicação da tecnologia já não se limita a passagens aéreas, alcançando também o transporte rodoviário, historicamente mais dependente de processos manuais. Forbes BrasilTraveltechhub
O que muda na experiência de quem viaja
Do ponto de vista prático, o uso de IA no planejamento reduz o tempo gasto em pesquisas e amplia a capacidade de ajuste em cima da hora. Segundo dados recentes de 2025 e 2026, cerca de dois em cada três viajantes já utilizam algum tipo de inteligência artificial para se inspirar ou planejar suas férias, um salto expressivo em relação a poucos anos atrás. A tecnologia também amplia o alcance de destinos considerados pelo viajante comum. Aplicativos com IA criam roteiros personalizados com base nos interesses de cada pessoa, enquanto a realidade aumentada permite pré-visualizar locais antes de visitá-los e a biometria acelera check-ins em aeroportos e hotéis, um conjunto de recursos que, juntos, tornam o processo de organizar uma viagem mais rápido e menos sujeito a erros de planejamento. Bem Vindo a LisboaAssist Card
Apesar dos ganhos, especialistas do setor reforçam que a tecnologia não substitui totalmente o papel humano na experiência turística. A inteligência artificial pode acelerar processos, ampliar possibilidades, personalizar recomendações e facilitar decisões, mas a confiança, o acolhimento, a escuta e a experiência continuam sendo diferenciais humanos, avaliação debatida durante o AI Summit 2026. Para quem trabalha com turismo, essa combinação aponta para um caminho de complementaridade, e não de substituição total: no turismo do futuro, o agente de viagens não desaparece, ele evolui, adaptando sua função para atividades de curadoria e atendimento mais estratégico. Orlando WishOrlando Wish
Sustentabilidade e eficiência também entram na equação
Além de facilitar o planejamento, a inteligência artificial vem sendo usada para tornar a operação do setor mais eficiente e menos custosa ao meio ambiente. Grandes agregadores de viagens, incluindo Expedia e Booking.com, já destacam as emissões dos operadores, permitindo que os clientes façam escolhas mais sustentáveis, enquanto companhias aéreas usam IA para otimizar rotas de voo e minimizar rastros de condensação, responsáveis por parcela relevante da contribuição da aviação para o aquecimento global. Esse tipo de aplicação mostra que o impacto da tecnologia vai além da experiência do consumidor final, alcançando também decisões operacionais que ajudam a reduzir custos e desperdícios ao longo de toda a cadeia do turismo. Forbes Brasil
No aeroporto londrino de Heathrow, um exemplo prático ilustra até onde essa automação já avançou. A assistente virtual Hallie, acessível via WhatsApp, consegue resolver 90% dos contatos dos clientes sem qualquer intervenção humana, número que serve de referência para o que operadoras brasileiras vêm tentando replicar em menor escala. Ainda assim, a tecnologia segue avançando de forma desigual entre destinos e empresas, e o resultado final para o viajante depende diretamente de quanto cada operador já investiu nesse tipo de solução. Forbes Brasil
O avanço da inteligência artificial no turismo brasileiro segue um movimento global, mas ainda está em fase de consolidação. Agências, operadoras e plataformas de viagem já usam a tecnologia para personalizar roteiros, prever atrasos e agilizar o atendimento, mas o toque humano continua tendo peso relevante na hora de traduzir dados em uma boa experiência. Para o viajante, o cenário atual oferece mais ferramentas de apoio do que nunca, sem eliminar o papel do profissional de turismo, que se adapta a um novo formato de trabalho. Nos próximos anos, a tendência é que essa combinação entre tecnologia e atendimento humano se torne cada vez mais comum, inclusive fora dos grandes centros urbanos.
Fontes consultadas: forbes.com.br | jornalwishtravel.com.br | pardaltech.com | traveltechhub.com.br | assistcard.com
