Embratur registra novo patamar de visitantes estrangeiros enquanto famílias brasileiras aumentam os gastos com viagens domésticas neste ano.
O Brasil vive um ciclo de crescimento consistente no turismo internacional. Depois de registrar 6,6 milhões de visitantes estrangeiros em 2024, segundo o Ministério do Turismo, o país ultrapassou a marca de 9 milhões em 2025 e mantém esse fluxo elevado em 2026. Os números recentes divulgados pela Embratur mostram que os cinco primeiros meses deste ano representam o segundo melhor resultado da série histórica para o período, com destaque para maio, quando quase meio milhão de visitantes desembarcaram no país. Ao mesmo tempo, o turismo doméstico segue aquecido: pesquisas do setor indicam aumento real nos gastos das famílias brasileiras com viagens, hospedagem e alimentação neste ano. O cenário chama atenção porque combina dois movimentos que costumam andar separados: o avanço do turista estrangeiro e a manutenção do interesse do brasileiro por viajar dentro do próprio país.
Fluxo recorde de visitantes estrangeiros
Os dados oficiais reforçam que o Brasil consolidou um patamar mais alto de chegadas internacionais nos últimos dois anos. Depois do recorde de 6,6 milhões de estrangeiros em 2024, a marca de mais de 9 milhões em 2025 confirmou que o crescimento não foi pontual. Segundo a Embratur, o resultado acumulado até maio de 2026 fica atrás apenas de um outro ano na série histórica, o que indica que o ritmo de expansão se mantém mesmo depois de dois anos consecutivos de alta. Esse movimento tem sido atribuído a ações de promoção internacional do destino Brasil e a uma maior competitividade do país frente a outros concorrentes globais, especialmente em um momento de câmbio favorável para quem vem de fora.
O impacto desse fluxo vai além da hotelaria. Um dos setores mais beneficiados diretamente pela chegada de turistas estrangeiros é o de bares e restaurantes, que tem no visitante internacional um público disposto a gastar mais com gastronomia local. Esse efeito em cadeia ajuda a explicar por que o crescimento do turismo internacional costuma ser acompanhado de perto por empresários de outros setores, da alimentação ao transporte, já que o gasto do turista se espalha por diferentes elos da economia das cidades receptoras.
Turismo doméstico também cresce
Enquanto o visitante estrangeiro bate recordes, o brasileiro segue viajando mais dentro do próprio país. Um levantamento da pesquisa IPC Maps, publicado pelo portal Rádio Guaíba, projeta que os gastos das famílias brasileiras com viagens devem somar R$ 106,9 bilhões até o fim de 2026, valor 6,6% superior ao registrado no ano anterior. O cálculo considera despesas com hospedagem, alimentação, passagens aéreas e rodoviárias, combustível e excursões, o que dá uma ideia da dimensão do impacto do setor na economia local em diferentes estados.
As férias escolares de julho ajudam a explicar parte desse movimento. Um levantamento da plataforma Kayak sobre as buscas por passagens para o período mostrou que São Paulo lidera a procura por voos para julho de 2026, seguido por Fortaleza e Rio de Janeiro. Salvador aparece na sexta posição do ranking, à frente de destinos tradicionais como Natal, João Pessoa e Porto Alegre, o que mostra como o litoral nordestino segue concentrando boa parte do interesse do viajante brasileiro nessa época do ano.
O que esperar para os próximos meses
Analistas do setor hoteleiro veem no desempenho de julho um termômetro para o restante do segundo semestre. O comportamento das reservas nesse mês costuma influenciar diretamente decisões de precificação, contratação de pessoal temporário e investimentos em infraestrutura por parte de redes hoteleiras e operadoras. Em destinos como Natal, por exemplo, o movimento antecipado de reservas em bairros turísticos já vinha sinalizando um cenário de aquecimento em relação a anos anteriores, especialmente entre famílias em busca de experiências mais completas do que apenas hospedagem.
Se as projeções se confirmarem, o Brasil deve fechar 2026 com dois indicadores positivos ao mesmo tempo: recorde ou quase recorde de visitantes estrangeiros e aumento real nos gastos domésticos com viagens. Esse equilíbrio interessa especialmente a quem planeja viajar nos próximos meses, já que a alta demanda tende a pressionar preços de hospedagem e passagens em destinos mais procurados, tornando o planejamento antecipado uma vantagem para quem busca economizar.
Os números mostram um setor que caminha em duas frentes ao mesmo tempo, com o mercado internacional puxando recordes de visitação e o público interno mantendo o consumo aquecido mesmo diante da inflação de serviços turísticos. Para o viajante, a recomendação prática que fica desses números é reservar com antecedência, especialmente em datas de alta demanda como as férias de julho, quando destinos como Salvador, Natal e Fortaleza tendem a concentrar boa parte da procura e, consequentemente, os maiores reajustes de preço.
Fontes: Jornal do Brás · Hotelier News · Alô Alô Bahia
